Quando alguém falece, a família já está lidando com o luto. O inventário, nesse contexto, costuma ser visto como mais um peso: burocrático, caro e emocionalmente difícil. Mas é necessário destacar aqui quais são os principais acertos que tornam o inventário mais rápido, menos caro e menos desgastante, para que sua família possa enfrentar um processo muito mais leve.
Mas a prática mostra algo muito importante: a forma como a família se organiza nos primeiros passos faz toda a diferença no tempo, no custo e no desgaste do inventário.
Atendo muitos casos em que o processo se arrasta por anos. Mas também acompanho situações em que o inventário caminha de forma muito mais simples e eficiente. A diferença quase nunca está “na sorte”. Está nas decisões certas, tomadas no momento certo e um profissional capacitado e atento.
Neste artigo, explico quais são os principais acertos que facilitam o inventário e que, muitas vezes, passam despercebidos.
1. Não adiar o início do inventário
Um dos maiores erros, e também um dos mais comuns, é deixar o inventário “para depois”.
Em muitos estados, como São Paulo, existe um prazo legal de 60 dias a partir do falecimento para dar entrada no inventário. Após esse prazo, começam a incidir multa e juros sobre o imposto (ITCMD), o que encarece consideravelmente o procedimento.
Além do aspecto financeiro, adiar o inventário traz outros riscos:
- aumento da chance de conflitos entre herdeiros
- perda de documentos importantes
- falecimento de um dos herdeiros, o que faz com que novos herdeiros entrem na partilha, tornando tudo mais complexo
Inventário atrasado quase nunca fica mais simples com o tempo.
2. Organização prévia da documentação
Outro grande acerto é não começar o inventário no escuro.
Quando a família reúne previamente documentos pessoais, certidões, informações sobre imóveis, contas bancárias, aplicações e dívidas, o procedimento flui de forma muito mais tranquila.
Essa organização evita:
- idas e vindas desnecessárias
- exigências repetidas
- atrasos que poderiam ser evitados
Mesmo quando ainda existem pendências, saber exatamente o que existe e o que falta já é um passo enorme.
3. Bens regularizados fazem toda a diferença
Imóveis irregulares são, disparadamente, um dos maiores entraves em inventários.
Quando o imóvel:
- não está registrado corretamente
- está em nome de terceiros
- possui inventário anterior não finalizado
- tem problemas na matrícula
todo o inventário fica mais lento e, muitas vezes, mais caro. Regularizar um imóvel em vida já é, por si só, uma forma de planejamento sucessório. Isso porque famílias que lidam com imóveis regularizados conseguem avançar com muito mais rapidez e segurança.
4. Buscar o inventário extrajudicial quando possível
Sempre que há herdeiros maiores e capazes, consenso entre todos e inexistência de testamento (ou testamento válido e já aberto judicialmente) o inventário extrajudicial, feito em cartório, costuma ser a opção mais simples, humana e eficiente.
Ele tende a ser mais rápido, menos burocrático e menos desgastante emocionalmente.
Mas é importante entender: o inventário extrajudicial só funciona bem quando a família está minimamente organizada e orientada desde o início.
5. Pensar no “depois do inventário”
Um ponto que muitas famílias acertam e que faz toda a diferença é já pensar nas próximas etapas.
Por exemplo: como ficará a organização patrimonial do cônjuge sobrevivente? Faz sentido estruturar um planejamento sucessório para evitar novos inventários no futuro? É o momento de regularizar bens pendentes?
O inventário não precisa ser visto como um fim, mas como uma etapa dentro de uma reorganização patrimonial mais ampla.
6. Ter liquidez para arcar com os custos
Inventários geram despesas: imposto, cartório, registros, honorários, entre outros.
Famílias que contam com liquidez imediata, como valores em conta ou seguro de vida, enfrentam esse momento com muito menos pressão financeira.
Vale lembrar que:
- seguro de vida não entra no inventário
- ele pode ser fundamental para custear as despesas do processo sem precisar vender bens às pressas
Esse tipo de organização financeira evita decisões precipitadas e conflitos.
Perguntas frequentes sobre inventário
O que acontece se eu não abrir o inventário em até 60 dias?
Além do atraso natural do processo, podem incidir multa e juros sobre o ITCMD, aumentando o custo total do inventário.
Inventário sempre vira briga?
Não. Conflitos geralmente surgem quando há falta de informação, desorganização patrimonial ou expectativas desalinhadas. Com orientação adequada, muitos inventários seguem de forma tranquila.
Seguro de vida entra no inventário?
Não. O valor do seguro é pago diretamente aos beneficiários e pode ajudar muito na liquidez para arcar com os custos do inventário.
Posso fazer inventário mesmo ainda estando de luto?
Sim. O luto não impede o início do inventário. Pelo contrário: resolver as questões jurídicas com cuidado pode evitar problemas maiores no futuro. Um profissional capacitado e humanizado irá entender esse momento familiar e acolher a família.
Inventário bem conduzido é resultado de decisões conscientes
O inventário nunca é um momento fácil. Mas ele pode ser menos doloroso, menos caro e menos demorado quando a família toma decisões conscientes e busca orientação jurídica desde o início.
Organizar bens, regularizar imóveis, respeitar prazos e alinhar expectativas não é frieza, é cuidado com quem fica. Planejar não elimina a dor da perda, mas evita que ela venha acompanhada de conflitos e problemas evitáveis.